Elucubração
Eu tirei essas fotos hoje, 17/02/2017 às 12h33min. Representando uma prática muito comum: a vó levando a neta à escola. Logo depois de registradas as fotos no celular, fiquei por alguns minutos, fitando-as. Lembrei-me do infortúnio de não ter nenhuma foto da minha infância. Sei lá... gostaria de me ver! Sem dentes, pernas raladas, cabelos crespos cortados. Mas infelizmente nada meu foi registrado. Entendo as circunstâncias que permeavam a condição de uma mãe abandonada com 13 filhos. Está perdoada mainha. Mas voltemos à abordagem inicial! Pensei na Nina daqui a 20 anos (Nina é a minha filha da foto). Como ela enxergaria aquele registro? Notaria um amor quase palpável da vó que lhe segurava a mão, e da mãe que desesperadamente quis registrar aquele momento com o desidério louco de eternizar o segundo? Quer seja do amor vó-neta, mãe-filha, quiçá, criar uma memória da paisagem local de sua infância, haja vista as mudanças drásticas dos cenários naturais para abarcar novas ideias de desenvolvimento econômico e social? Ah, filha! Em 20 anos... não sei se estarei aqui, se a oma estará aqui, ou até mesmo se você estará aqui! Mas o que importa? O momento foi registrado, e alguém em 20 anos estará olhando para aquela foto de uma garotinha de tranças, que toda feliz era conduzida pela vó orgulhosa para a escola. E que uma outra pessoa com olhos famintos as fotografou! Tempo, tempo, tempo... deixe, por favor, a estrada de chão batido, a escolinha de interior e todo esse amor que reverbera pela poeira que se espalha.


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