Joelma Barbosa dos Anjos
Culturalismo,simbolismo
e críticas: Sétima aula ministrada no dia 08 de dezembro de 2011. Jean Segata
no uso de suas atribuições como docente da cadeira de Antropologia do curso de
Direito da Unidavi, fez conhecer o legado antropológico norte-americano discorrendo
sobre a Escola Histórico-Culturalista. Fazendo uso do data-show, anotações no
quadro e apresentando alguns exemplares de livros pertinentes às abordagens,
possibilitou aos acadêmicos a reflexão crítica-construtiva.
No
primeiro instante para fins de entendimentos, a Antropologia norte-americana
foi delimitada num período compreendido entre 1890-1950. Nesse ínterim, o
Brasil apresentava duas correntes antropológicas, a Cultural e a Física, dando-se destaque ao grande
historiador Gilberto Freyre. Nos Estados Unidos o grande mentor da Escola
Histórico-Culturalista foi Franz Boas; alemão, judeu e de graduação em Física.
Passou uma temporada no Canadá com o intuito de formular uma resposta para
justificar a coloração mais escura do mar na região dos pólos. Chegando à
conclusão que tal fenômeno devia-se ao fato da pouca incidência solar. Essa
experiência de convivência diária com os esquimós, acabou sendo determinante
para sua conversão à Antropologia. A Europa fervilhava em guerra e perseguição
aos judeus, e é em meio a esse cenário que Franz Boas solicita uma bolsa de
estudos nos Estados Unidos, sendo concedida na condição do Boas se tornar
cidadão americano.
Franz
Boas teve como contexto o movimento evolucionista representado por grandes
teóricos como Henry Morgan, James Frazer, Edward Tylor, Charles Darwin e
Herbert Spencer. Algumas considerações foram suscitadas para um melhor
depreendimento da teoria evolucionista. De acordo com o postulado darwiniano,
nada é estático e sim evolucionista, o que faz lembrar curiosamente de
Heráclito. Herbert Spencer via a sociedade em constante progresso, ou seja, o
homem tende a buscar algo melhor para si. Já Henry Morgan abordou o
Evolucionismo Cultural, onde a sociedade era compreendida entre os conceitos de
primitivos e civilizados. A diferença entre os indivíduos se daria por degraus:
o selvagem, o bárbaro e o civilizado. Henry Morgan como jurista e senador
acabou por promover a segregação por força da lei, a chamada eugenia. Franz
Boas acabou se destacando por criticar a segregação imposta por Henry Morgan,
recebendo apoio de um segmento social contrário à eugenia. Boas lecionou na
University of Columbia, em 1896 criou a A.A.A (American Anthropological
Association), e sendo seu primeiro texto intitulado “Limitação do método
comparativo da Antropologia. Com o Método Histórico procurou analisar a
história do povo pela própria história, e não de forma geral. Nesse caso não
haveria um ponto de origem externo; nas entrelinhas ele negava a validade da
Comparação Difusionista. De acordo com Boas a história é invenção.
Bastante
relevante nas explanações que seguiram ao intervalo, foram as colocações do
docente em relação da contribuição de duas figuras femininas, a Margaret Mead e
Ruth Benedict que foram alunas do Franz Boas. A Margaret Mead realizou trabalho
de campo em Samoa nos anos de 1920-1950, procurando analisar o comportamento
social desse povo, tendo como pressuposto as diferenças temperamentais entre os
sexos. Esse engajamento culminaria na abertura
dos futuros debates feministas dos anos 60 e 70. Em 1930 publicou o
livro “Sexo e temperamento”, sugerindo que o sexo, enquanto gênero é inventado.
Uma curiosa proeza da Margaret Mead foi ter casado cinco vezes num intervalo de
quinze anos, e sendo um dos casamentos fruto de uma relação homo afetiva com
Ruth Benedict. Essa última por sua vez, teorizou a escola americana, deu
continuidade ao trabalho do Franz Boas, realizou trabalhos de campos nos bancos
de praças, tinha forte influência do Karl Gustav Jung e como leitora assídua do
Durkheim, trocou a palavra sociedade por cultura ou arquétipo. Publicou o livro
Padrões de Cultura.
A
expressão da escola Hermenêutica foi
Clifford Geertz que procurou estudar os símbolos e os significados. Geertz
inaugurou a idéia de criar conceitos numa perspectiva onde não admitia a
confusão entre familiaridade com conhecimento. Na aula foi dado o exemplo do
praticante de skate. O foco de Clifford Geertz é o individual, e não o coletivo.
Ao falar a palavra caneta, estariam todos os acadêmicos pensando iguais? O
símbolo é o mesmo, mas e quanto ao seu significado? São apenas valores
partilhados a partir da interpretação da cultura como documento público.
Faltavam
alguns minutos para findar a aula quando foi tecido um breve comentário
respaldado no material disponibilizado na midiateca, e tido como leitura
obrigatória: A invenção da cultura de Roy Wagner. Segundo o autor, Cultura é
apenas uma palavra usada pelo antropólogo para organizar o próprio discurso.
Roy Wagner foi contemporâneo de Geertz, trouxe Wittgenstein para a Antropologia
e comungava com a categoria de pensamento de Immanuel Kant.
Em
suma, mas do que acadêmicas procurando serem assíduas por causa das sanções
provenientes das faltas (normas da instituição), a relevância da
assiduidade está em compreender e enxergar a Antropologia além da visão
estanque de Durkheim que criava rótulos. Olhar de forma geral seria por demais piegas! Olhar as partes é
mais belo, talvez diria Geertz... Por que não aceitar a Antropologia do posto
de vista de Malinowski? Um organismo vivo, com seus órgãos, células e funções.
O trabalho antropológico seria resultado de todo esse organismo vivo funcionando.
Pesquisando mais a fundo, quem sabe se a Antropologia não seria uma
estrututa-estruturante? Seja como for, não damos a mínima se os antropólogos
inventaram a cultura! Até porque [...] Um dia me
disseram que as nuvens não eram de algodão [...] Sem querer eles me deram as
chaves que abrem essa prisão... Hoje como acadêmicas do curso de Direito e
futuramente como profissionais na área das Ciências Socialmente Aplicáveis,
urge a necessidade de racionalização de nossas individualidades. Faz-se
necessário ser atingido em cheio por todas essas diversidades “culturais”, ou
estranhar o familiar, e se familiarizar com o exótico. Apenas exigimos nossos
direitos à verdade e que o conhecimento
não nos seja protelado!
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS:
GOLDMAN,
Marcio. “Alteridade e Experiência:
antropologia e teoria etnográfica, Vol. X (1), 2006, p. 161-173.
SEGATA,
Jean. “Filosofia e Antropologia”.
In:MACHADO, N,; SEGATA,J. (orgs). Filosofia(s). 2. Ed. Revista ampliada. Rio do
Sul: Editora UNIDAVI, 2011, p. 155-178.
WAGNER,
Roy. “A Presunção da Cultura”. In:__ A
Invenção da Cultura. São Paulo: Cosac & Naify, 2010, p. 27-46.
Outros
materias:
Anotações pessoais.
Site
visitado:
http://letras.terra.com.br/engenheiros-do-hawaii/12899/
< acessado em 09 de dezembro de 2011>.
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