sábado, 17 de dezembro de 2011


Sábado, 17 de Dezembro de 2011

"As grandes empresas estão chegando, mas precisamos de vagas de emprego para nossos filhos"

Por Julio Cesar Ribeiro Dias*


Julio Ribeiro
O parque industrial de Camaçari cresceu tanto nos últimos anos que colocou a economia da Bahia entre as primeiras do Brasil.


O mundo está vindo para cá, estão chegando os chineses com sua fábrica de automóvel, a Jac Motors, os alemães com a Basf e seu polo acrílico, os franceses com a Alston e seus aero geradores de energia eólica, e os turcos com sua fábrica de água oxigenada, a Peróxy Bahia. 

O Boticário também vem com sua fábrica de perfume e seu Centro de Distribuição que se somarão com inúmeras outras empresas já estabelecidas e outras que estão chegando. 

É previsível que esse crescimento industrial provocará uma migração em massa o que acarretará uma explosão demográfica, onde os cálculos mais sugeridos é de que a cidade deverá dobrar em número de habitante nos próximos anos beirando os 500 mil moradores. 

E para preparar o município a esta nova realidade o governo Federal, Estadual e Municipal concentram suas forças em obras prioritárias e estruturantes. 

Em breve teremos a duplicação da Via Parafusos, obra que já começou através da parceria com a concessionária Bahia Norte que opera o pedágio. 

Teremos também a retomada da construção da variante ferroviária para o transporte da produção industrial e a consequente liberação da atual malha férrea para ser utilizada com o trem de passageiro entre Camaçari e Salvador melhorando o complicado transporte intermunicipal de passageiros. 
Também já está em construção na cidade o campus local da Universidade Federal da Bahia (UFBA); já foi inaugurado e já está funcionando o IFBA; e a prefeitura doará um terreno de R$ 1,5 milhões de reais para a instalação de uma unidade do Senai na cidade. Obras essas que serão fundamentais para a qualificação da mão de obra local, para que as famílias camaçarienses possam usufruir dos benefícios dos empregos gerados aqui. 

O governo do Estado com verba do PAC já concluiu 65% das obras do saneamento básico da cidade que deve ficar pronta em julho de 2012 e a recuperação do Rio Camaçari tem quase 300 milhões de reais garantidos do PAC 2, para serem aplicados na reurbanização de boa parte do município. 

A Orla Marítima da Cidade, onde os moradores cobram mais investimentos, esta depois de muitos anos recebendo obras de requalificação, como em Arembepe e Itacimirim. 
No entanto apesar dessa erupção de inaugurações de indústrias e de obras o povo continua reclamando de muitas falhas que ainda acontecem na área urbana da cidade e que tornam a vida da população mais difícil e que precisam ser corrigidas o mais rápido possível. Deparamos muitas vezes, infelizmente, com péssimos serviços e atendimento precário, tanto nas repartições públicas quanto nas empresas privadas. As lojas, os mercados precisam melhorar muito no atendimento ao cliente. 
E é por isso que o povo reclama de quase tudo, reclama do transporte coletivo, dos motoristas que não respeitam os sinais de trânsito, do preço da gasolina, do preço do gás , da violência, da falta de vacinas, dos corpos dos mortos que ficam estendidos no chão por várias horas até a chegada do IML, do trânsito confuso, do supermercado com suas filas enormes, da dificuldade de se conquistar um emprego nas industrias que chegam na cidade, da poluição sonora, da poluição visual, da ausência do Procon, da falta de um shopping, da falta de um grande supermercado, da corrupção, etc, etc. 
Uma das saídas para muitos desses problemas urbanos citados seria investir pesado no Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município.
Não é possível mais, por exemplo, que se permita a colocação de cones nos estacionamentos das ruas da cidade para reservar espaços aos donos dos prédios. A cidade é de todos. Tem que ter lei para todos. 

A poluição sonora e a poluição visual na cidade precisam ser combatidas. O meio ambiente precisa ser preservado e a qualidade de vida da população precisa ser garantida. 

A quantidade de bares ocupando as calçadas dos bairros da cidade precisa ser controlada, pois as crianças, as donas de casas, os estudantes e os trabalhadores precisam se locomover livremente. 

Na questão da colocação profissional é preciso descobrir, para onde estão indo os empregos das novas indústrias que chegam na cidade que quase ninguém consegue uma vaga. 

Esta pergunta precisa ser respondida. Temos que localizar onde estão as falhas nesta questão e saná-las, pois não é possível mais vermos tantas empresas chegando em nossa cidade e nossos jovens não conseguirem um emprego. 
Camaçari está colhendo no crescimento industrial os bons frutos que o povo plantou, com o voto e a manutenção no poder por mais de oito anos da mesma estrutura política tanto no campo Federal, como Estadual e Municipal. Com Lula, Wagner, Caetano e agora com Dilma. O famoso “alinhamento político”. 
No entanto estes frutos precisam chegar a mesa dos moradores de Camaçari e para isso precisamos planejar a cidade, investir no urbano e garantir a cidadania plena ao povo desta cidade. 
E neste novo contexto a sociedade de Camaçari precisa emergir, precisa aparecer, precisa se organizar, para juntos construirem este novo momento. 
Camaçari não é só as torres das indústrias, nem só os prédios da cidade ou apenas os arrecifes do mar. Camaçari é principalmente o povo que vive nesta cidade. E é para este povo que os benefícios precisam  chegar.


*Julio Ribeiro é bacharel em Administração de Empresas, fundador e diretor do Camaçari Notícias

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Síntese nota 10 em Antropologia!! Docente: Jean Segata.

Joelma Barbosa dos Anjos


Culturalismo,simbolismo e críticas: Sétima aula ministrada no dia 08 de dezembro de 2011. Jean Segata no uso de suas atribuições como docente da cadeira de Antropologia do curso de Direito da Unidavi, fez conhecer o legado antropológico norte-americano discorrendo sobre a Escola Histórico-Culturalista. Fazendo uso do data-show, anotações no quadro e apresentando alguns exemplares de livros pertinentes às abordagens, possibilitou aos acadêmicos a reflexão crítica-construtiva.
No primeiro instante para fins de entendimentos, a Antropologia norte-americana foi delimitada num período compreendido entre 1890-1950. Nesse ínterim, o Brasil apresentava duas correntes antropológicas, a Cultural  e a Física, dando-se destaque ao grande historiador Gilberto Freyre. Nos Estados Unidos o grande mentor da Escola Histórico-Culturalista foi Franz Boas; alemão, judeu e de graduação em Física. Passou uma temporada no Canadá com o intuito de formular uma resposta para justificar a coloração mais escura do mar na região dos pólos. Chegando à conclusão que tal fenômeno devia-se ao fato da pouca incidência solar. Essa experiência de convivência diária com os esquimós, acabou sendo determinante para sua conversão à Antropologia. A Europa fervilhava em guerra e perseguição aos judeus, e é em meio a esse cenário que Franz Boas solicita uma bolsa de estudos nos Estados Unidos, sendo concedida na condição do Boas se tornar cidadão americano.
Franz Boas teve como contexto o movimento evolucionista representado por grandes teóricos como Henry Morgan, James Frazer, Edward Tylor, Charles Darwin e Herbert Spencer. Algumas considerações foram suscitadas para um melhor depreendimento da teoria evolucionista. De acordo com o postulado darwiniano, nada é estático e sim evolucionista, o que faz lembrar curiosamente de Heráclito. Herbert Spencer via a sociedade em constante progresso, ou seja, o homem tende a buscar algo melhor para si. Já Henry Morgan abordou o Evolucionismo Cultural, onde a sociedade era compreendida entre os conceitos de primitivos e civilizados. A diferença entre os indivíduos se daria por degraus: o selvagem, o bárbaro e o civilizado. Henry Morgan como jurista e senador acabou por promover a segregação por força da lei, a chamada eugenia. Franz Boas acabou se destacando por criticar a segregação imposta por Henry Morgan, recebendo apoio de um segmento social contrário à eugenia. Boas lecionou na University of Columbia, em 1896 criou a A.A.A (American Anthropological Association), e sendo seu primeiro texto intitulado “Limitação do método comparativo da Antropologia. Com o Método Histórico procurou analisar a história do povo pela própria história, e não de forma geral. Nesse caso não haveria um ponto de origem externo; nas entrelinhas ele negava a validade da Comparação Difusionista. De acordo com Boas a história é invenção.
Bastante relevante nas explanações que seguiram ao intervalo, foram as colocações do docente em relação da contribuição de duas figuras femininas, a Margaret Mead e Ruth Benedict que foram alunas do Franz Boas. A Margaret Mead realizou trabalho de campo em Samoa nos anos de 1920-1950, procurando analisar o comportamento social desse povo, tendo como pressuposto as diferenças temperamentais entre os sexos. Esse engajamento culminaria na abertura  dos futuros debates feministas dos anos 60 e 70. Em 1930 publicou o livro “Sexo e temperamento”, sugerindo que o sexo, enquanto gênero é inventado. Uma curiosa proeza da Margaret Mead foi ter casado cinco vezes num intervalo de quinze anos, e sendo um dos casamentos fruto de uma relação homo afetiva com Ruth Benedict. Essa última por sua vez, teorizou a escola americana, deu continuidade ao trabalho do Franz Boas, realizou trabalhos de campos nos bancos de praças, tinha forte influência do Karl Gustav Jung e como leitora assídua do Durkheim, trocou a palavra sociedade por cultura ou arquétipo. Publicou o livro Padrões de Cultura.
A expressão da escola Hermenêutica  foi Clifford Geertz que procurou estudar os símbolos e os significados. Geertz inaugurou a idéia de criar conceitos numa perspectiva onde não admitia a confusão entre familiaridade com conhecimento. Na aula foi dado o exemplo do praticante de skate. O foco de Clifford Geertz é o individual, e não o coletivo. Ao falar a palavra caneta, estariam todos os acadêmicos pensando iguais? O símbolo é o mesmo, mas e quanto ao seu significado? São apenas valores partilhados a partir da interpretação da cultura como documento público.
Faltavam alguns minutos para findar a aula quando foi tecido um breve comentário respaldado no material disponibilizado na midiateca, e tido como leitura obrigatória: A invenção da cultura de Roy Wagner. Segundo o autor, Cultura é apenas uma palavra usada pelo antropólogo para organizar o próprio discurso. Roy Wagner foi contemporâneo de Geertz, trouxe Wittgenstein para a Antropologia e comungava com a categoria de pensamento de Immanuel Kant.
Em suma, mas do que acadêmicas procurando serem assíduas por causa das sanções provenientes das  faltas  (normas da instituição), a relevância da assiduidade está em compreender e enxergar a Antropologia além da visão estanque de Durkheim que criava rótulos. Olhar de forma geral  seria por demais piegas! Olhar as partes é mais belo, talvez diria Geertz... Por que não aceitar a Antropologia do posto de vista de Malinowski? Um organismo vivo, com seus órgãos, células e funções. O trabalho antropológico seria resultado de todo esse organismo vivo funcionando. Pesquisando mais a fundo, quem sabe se a Antropologia não seria uma estrututa-estruturante? Seja como for, não damos a mínima se os antropólogos inventaram a cultura! Até porque  [...] Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão [...] Sem querer eles me deram as chaves que abrem essa prisão... Hoje como acadêmicas do curso de Direito e futuramente como profissionais na área das Ciências Socialmente Aplicáveis, urge a necessidade de racionalização de nossas individualidades. Faz-se necessário ser atingido em cheio por todas essas diversidades “culturais”, ou estranhar o familiar, e se familiarizar com o exótico. Apenas exigimos nossos direitos à verdade e que o  conhecimento não nos seja protelado!


                                    



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

GOLDMAN, Marcio. “Alteridade e Experiência: antropologia e teoria etnográfica, Vol. X (1), 2006, p. 161-173.
SEGATA, Jean. “Filosofia e Antropologia”. In:MACHADO, N,; SEGATA,J. (orgs). Filosofia(s). 2. Ed. Revista ampliada. Rio do Sul: Editora UNIDAVI, 2011, p. 155-178.
WAGNER, Roy. “A Presunção da Cultura”. In:__ A Invenção da Cultura. São Paulo: Cosac & Naify, 2010, p. 27-46.


Outros materias:
Anotações pessoais.

Site visitado:
http://letras.terra.com.br/engenheiros-do-hawaii/12899/ < acessado em 09 de dezembro de 2011>.